Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Dia internacional do livro infantil (by Raquel)

por Raquel, em 02.04.14

Como mãe e como uma pessoa que gosta de ler e incentivar a leitura, não podia deixar passar este dia em vão, com um dos textos do livro "Contos para rir" de Luisa Duclas Soares.

É um dos livros recomendado para o plano nacional de leitura.

Peguem nos vossos filhos e leiam a história juntos.

 

 

A Pele do Piolho

 

Era uma vez um rei que não primava pelo asseio. Tinha tal medo da água que nunca se lavava.

- Tomar banho no rio é perigoso, posso afogar-me. Meter-me numa banheira é perigoso, posso escorregar. Esfregar-me com uma toalha molhada é perigoso, pode cair-me a pele - dizia ele.

Não havia perfume que cobrisse o seu mau cheiro. A rainha tinha morrido, intoxicada. O pessoal da corte mantinha-se todo á distância, o que ele achava natural, como sinal de respeito.

Só a filha se aproximava, com uma mola de roupa de ouro a tapar-lhe o nariz.

- É a nova moda - desculpava-se ela para não o ofender.

Certo dia, ao penteá-lo, até estremeceu.

- Ai, senhor, que grande piolho! Vou tirar-lho.

- Não o tires que me faz companhia. Meu rico bichinho de estimação! Acompanha-me a toda a hora, para onde quer que eu vá...Cães ou gatos não são mais dedicados.

deixou a filha ficar o animal que, com o tempo, foi crescendo, crescendo. Ficou tão grande que até parecia um chapéu pousado no cocuruto da real cabeça. Até a coroa deixou de lhe servir.

Também a princesa cresceu, tão bela, esperta e asseada que ninguém diria que era filha de tal pai.

Estavam pois ambos crescidos quando o piolho adoeceu.

Tinha o rei andado a passear ao sol e o pobre apanhara um escaldão. Agora tossia, espirrava que era um dó de alma e tinha tanta, tanta febre que a cabeça do monarca escaldava.

Vieram veterinários de longe para o tratar mas todos eles estavam habituados a matar e não curar piolhos. Besuntaram-no com cremes, fricionaram-no com álcool, picaram-no com injeções, pois este só se alimentava com o seu sangue. Nem assim recuperava a saúde.

Entre choros e lamúrias acabou-se-lhe a vida.

- Vamos enterrá-lo no jardim, junto aos cravos perfumados - propôs a princesa.

- Nunca! - disse o pai. - Quero-o sempre junto de mim. Com a sua pele vou mandar fazer, em segredo, um tambor.

Assim aconteceu.

Sentia-se o rei enfraquecer com a idade e com o desgosto pela morte do companheiro inseparável. Resolveu então casar a filha para não a deixar desamparada.

- Só aceito um marido ao meu gosto! - exclamou ela. Só caso com quem adivinhar de que é feito o tambor de Vossa Magestade.

Esteve o rei de acordo, mandando em breve reunir todos os oficiais, fidalgos e príncipes que aspiravam à mão da princesa. Para cima de uma centena! Entretanto ela já fizera a sua escolha. Era um jovem capitão da marinha, que não temia nem as mais revoltosas águas do mar. Por isso, aproximou-se dele às econdidas e murmurou:

- O tambor é de pele de piolho.

Ora um criado muito velho, que andava por ali a servir bebidas, ouviu a frase. Correu, mesmo com a bandeja na mão, até ao trono, anunciando:

- Descobri! Descobri! O tambor é de pele de piolho.

A princesa desfez-se em lágrimas mas o rei só tinha uma palavra, não podia voltar com ela atrás.

- Escolhe o dia do casamento que serás meu genro, embora, pela idade, pudesses ser meu avô.

A princesa é que não esteve pelos ajustes. Diante de toda a gente, enfrentou o noivo:

 

Se comigo te casares,

vais sofrer desilusão,

em vez de te dar um beijo, 

dou-te logo um bofetão.

Eu durmo na cama fofa, tu dormes no meio do chão,

eu como bolos de mel

e tu os ossos do cão.

Eu vou para o baile dançar,

tu vais carregar melão.

Hei-de ter sete filhinhos,

os sete de um capitão.

Se não posso dar-lhe a mão,

dou-lhe corpo e coração.

 

Por aquela declaração pública é que o velhote não esperava. Levar pancada, ser gozado e atraiçoado pela mulher era de mais!

- Desisto! Desisto!

A princesa casou com o capitão. Mandaram construir um palácio com vinte casas de banho e uma grande piscina diante da sala.

 

À entrada do portão há um letreiro que avisa:

 

PROIBIDA A ENTRADA DE PIOLHOS

 

publicado às 15:51


2 comentários

De omeumaiorsonho a 14.04.2014 às 15:54

Adoro ler livros há minha filhota ;)

De Raquel a 21.04.2014 às 12:30

Muito bem, penso que deveríamos incutir-lhes isso logo desde muito pequenos, para que aprendam a gostar de ler.
Nos dias de hoje lê-se muito pouco e os pais de tão atarefados que anda, não têm tempo de pegar num livro e lê-lo a dois.

 

Comentar post




Página Vida de Mãe




COMENTáRIOS RECENTES

  • Raquel

    Pois! ;(

  • Raquel

    Certo, David. :)

  • David Marinho

    Alguns paizinhos é que não educam os filhos, infel...

  • A Hipster Chique

    Incrível... Uma realidade difícil de controlar...

  • K. Clara Branco

    ops...campo minado! xDConfesso que não sei bem com...

  • Heidiland

    As crianças têm umas saídas muito engraçadas.

  • Ligia Vieira

    Quais são as fraldas do continente que usas? Já us...

  • Sam

    Para quem gosta de redes sociais e quer ganhar uns...

  • familiavieiraribeiro

    O miúdo já foi exposto em demasia!!! Retiraram mas...

  • Raquel

    Mesmo e no que ainda estará por vir se assim conti...




calendário

Abril 2014

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930


Pesquisar

  Pesquisar no Blog