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Namoricos (by Raquel)

por Raquel, em 29.04.14

Enquanto jantávamos diz-me a mais pequena cá da casa:

"- Mãe, sabes uma coisa?"

"- Diz lá!" - respondo-lhe.

"- Hoje na aula de inglês, o Micael olhou para mim, sorriu e disse-me assim 'queres namorar comigo'?"

"- E tu, que respondes-te?" - perguntei-lhe eu.

"- Eu disse-lhe: 'Achas? Eu já tenho namorado, o Kiko que está na França!"

"- Tu não esqueces mesmo o Kiko. " - digo-lhe eu.

"- Sabes mãe, o Rúben do 1º ano também gosta muito de mim, mas às vezes faz coisas que irrita muito a professora."

"- E também sabes que, o Henrique vai casar com a Fabiana?"

"- Vai?" - pergunto-lhe eu.

"- Vai pois, ele anda sempre a escrever-lhe bilhetinhos a dizer amo-te e depois desenha muitos corações. Eles pensam que eu não sei, mas eu já vi muitos papéis desses no caixote do lixo e conheço bem a letra dele."

 

Agora, apelo à professora da minha filha, caso leia isto, que mantenha essas crianças "namoradeiras" na linha.

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publicado às 21:48

Previsível, eu? (by Raquel)

por Raquel, em 29.04.14

"- Mãe, quero uma fatia de bolo!" - dizia-me a minha filha.
"- Queres uma grande ou pequena?" - enquanto eu já a cortava.
"- Uma pequena!" - responde-me ela.
"- Mas já cortei uma grande." - dizia-lhe eu.
"- Não faz mal, eu como na mesma." - retorquiu ela.
Dei uma gargalhada, à qual ela disse.
"- Isso, vai lá..."

"- Vou lá, onde?" - perguntei-lhe sem estar a pereceber o que ela queria dizer.

 "- Vai lá meter isso no teu blog!"- dizia-me ela a sorrir.
"- Lol..."
Mas que previsível estou a ficar.

publicado às 18:02

A História da Páscoa (by Raquel)

por Raquel, em 17.04.14
Aqui está uma forma para que os nossos mais pequenotes, entendam o significado da Páscoa e a ressurreição de Jesus.

publicado às 13:46

Dia internacional do livro infantil (by Raquel)

por Raquel, em 02.04.14

Como mãe e como uma pessoa que gosta de ler e incentivar a leitura, não podia deixar passar este dia em vão, com um dos textos do livro "Contos para rir" de Luisa Duclas Soares.

É um dos livros recomendado para o plano nacional de leitura.

Peguem nos vossos filhos e leiam a história juntos.

 

 

A Pele do Piolho

 

Era uma vez um rei que não primava pelo asseio. Tinha tal medo da água que nunca se lavava.

- Tomar banho no rio é perigoso, posso afogar-me. Meter-me numa banheira é perigoso, posso escorregar. Esfregar-me com uma toalha molhada é perigoso, pode cair-me a pele - dizia ele.

Não havia perfume que cobrisse o seu mau cheiro. A rainha tinha morrido, intoxicada. O pessoal da corte mantinha-se todo á distância, o que ele achava natural, como sinal de respeito.

Só a filha se aproximava, com uma mola de roupa de ouro a tapar-lhe o nariz.

- É a nova moda - desculpava-se ela para não o ofender.

Certo dia, ao penteá-lo, até estremeceu.

- Ai, senhor, que grande piolho! Vou tirar-lho.

- Não o tires que me faz companhia. Meu rico bichinho de estimação! Acompanha-me a toda a hora, para onde quer que eu vá...Cães ou gatos não são mais dedicados.

deixou a filha ficar o animal que, com o tempo, foi crescendo, crescendo. Ficou tão grande que até parecia um chapéu pousado no cocuruto da real cabeça. Até a coroa deixou de lhe servir.

Também a princesa cresceu, tão bela, esperta e asseada que ninguém diria que era filha de tal pai.

Estavam pois ambos crescidos quando o piolho adoeceu.

Tinha o rei andado a passear ao sol e o pobre apanhara um escaldão. Agora tossia, espirrava que era um dó de alma e tinha tanta, tanta febre que a cabeça do monarca escaldava.

Vieram veterinários de longe para o tratar mas todos eles estavam habituados a matar e não curar piolhos. Besuntaram-no com cremes, fricionaram-no com álcool, picaram-no com injeções, pois este só se alimentava com o seu sangue. Nem assim recuperava a saúde.

Entre choros e lamúrias acabou-se-lhe a vida.

- Vamos enterrá-lo no jardim, junto aos cravos perfumados - propôs a princesa.

- Nunca! - disse o pai. - Quero-o sempre junto de mim. Com a sua pele vou mandar fazer, em segredo, um tambor.

Assim aconteceu.

Sentia-se o rei enfraquecer com a idade e com o desgosto pela morte do companheiro inseparável. Resolveu então casar a filha para não a deixar desamparada.

- Só aceito um marido ao meu gosto! - exclamou ela. Só caso com quem adivinhar de que é feito o tambor de Vossa Magestade.

Esteve o rei de acordo, mandando em breve reunir todos os oficiais, fidalgos e príncipes que aspiravam à mão da princesa. Para cima de uma centena! Entretanto ela já fizera a sua escolha. Era um jovem capitão da marinha, que não temia nem as mais revoltosas águas do mar. Por isso, aproximou-se dele às econdidas e murmurou:

- O tambor é de pele de piolho.

Ora um criado muito velho, que andava por ali a servir bebidas, ouviu a frase. Correu, mesmo com a bandeja na mão, até ao trono, anunciando:

- Descobri! Descobri! O tambor é de pele de piolho.

A princesa desfez-se em lágrimas mas o rei só tinha uma palavra, não podia voltar com ela atrás.

- Escolhe o dia do casamento que serás meu genro, embora, pela idade, pudesses ser meu avô.

A princesa é que não esteve pelos ajustes. Diante de toda a gente, enfrentou o noivo:

 

Se comigo te casares,

vais sofrer desilusão,

em vez de te dar um beijo, 

dou-te logo um bofetão.

Eu durmo na cama fofa, tu dormes no meio do chão,

eu como bolos de mel

e tu os ossos do cão.

Eu vou para o baile dançar,

tu vais carregar melão.

Hei-de ter sete filhinhos,

os sete de um capitão.

Se não posso dar-lhe a mão,

dou-lhe corpo e coração.

 

Por aquela declaração pública é que o velhote não esperava. Levar pancada, ser gozado e atraiçoado pela mulher era de mais!

- Desisto! Desisto!

A princesa casou com o capitão. Mandaram construir um palácio com vinte casas de banho e uma grande piscina diante da sala.

 

À entrada do portão há um letreiro que avisa:

 

PROIBIDA A ENTRADA DE PIOLHOS

 

publicado às 15:51



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